1918: No Sertão dos Patos

Por mara malaque - 8.12.18

Francisco Severiano de Almeida (Chico Maria), esposa e filha
(texto de Eunice Sant’Ana Málaque publicado em abril de 2003 no caderno
Subsídios para a História de Iepê, vol. 2, sob o título A Chegada a Iepê)

Por volta de 1915 a 1920, a região que hoje corresponde a Iepê estava sendo explorada por uma companhia colonizadora. A família Almeida resolveu embrenhar-se pelo sertão, adquirindo as terras que correspondem atualmente à cidade. Francisco Maria (Chico Maria) comprou um lote indo até São Roque; Júlia Almeida Prado adquiriu 126 alqueires do lado esquerdo da Água dos Patos e seu filho Antônio de Almeida Prado (Antoninho Maria) comprou cinquenta alqueires do lado direito, dividindo com Chico Maria uma parte onde  hoje está Iepê.

1918 teria sido o ano da mudança. Chico Maria e Antônio vieram com trabalhadores, derrubaram o mato e construíram os ranchos. Chico Maria construiu no local onde atualmente é a casa de Selma Greice e sua irmã Ana Matos. Antônio, por sua vez, construiu do outro lado do rio, onde hoje é o sítio do Sr. João Geraldo. Depois de prontos os ranchos, Júlia veio com a família: Joaquina, Ana, Josefa, João, José e ainda os adotivos José Miguel e Maximília (grávida) com os filhos João Manoel e Juvenal.

Tomaram o trem em Palmital. Não havia vagões para carregar passageiros. A estrada estava em construção e corriam vagões abertos para carregar material. Era junho frio e eles vieram nesse vagão aberto. Desceram em Cardoso de Almeida, onde Antônio os esperava com os cavalos. Pousaram naquela cidade na casa de uma família cujas crianças estavam com sarampo. No dia seguinte, partiram cedo a cavalo e Júlia, antes de sair, torceu o pé. Quando chegou, foi preciso cortar a bota, tão inchado se encontrava seu pé.

A família ainda não tinha sofrido sarampo; todos ficaram doentes, inclusive Maximília que, estando gravida, veio a falecer. Ela era viúva, e seu marido descendia de uma família em que todos morreram cedo de tuberculose.

Além do cemitério de Jaguaretê, já haviam demarcado o cemitério de São Roque, vila que estava em formação. Maximília foi sepultada lá e, pouco depois, faleceu José de Almeida Prado (Quita), filho de Júlia, com doze anos (era cardíaco). Foi também sepultado em São Roque. Ao fazerem a cerca do cemitério, deixaram os dois túmulos fora por serem protestantes. Foi então que Júlia doou o terreno onde hoje é o cemitério de Iepê.

Pouco depois, seu pai, José Maria de Almeida Ramos, que nessa época vivia em Piraju com os outros filhos, veio para Iepê e faleceu. Foi o primeiro a ser sepultado no cemitério de Iepê.

Júlia, querendo que seus familiares também viessem morar na Água dos Patos, cedeu um lote de dez alqueires para Francisco Cândido, que era casado com Maria Fortunato, sua filha adotiva. Doou outro lote para Elias Dias do Prado e, ainda, dez alqueires para o sr. Antônio Luiz da Silva, como pagamento pela formação do café.


Antonio de Almeida Prado (Antoninho Maria) e filhas Miriam, Aurora, Jacy e Maria Júlia 
Júlia de Almeida Prado
Filhos de Maximília
Eunice Sant'Ana Málaque (autora)

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