Iepopéia I

Por Adalbacom - 22.2.18

– Autor: Osni Miguel Santana –


(Antitexto)

Paranapanema
de fio a pavio
nele já não rema
o povo gentio

Nem significar
"rio sem valor"
evitou o avatar
do branco invasor

Desde os bandeirantes
viram os nativos
dias aviltantes
mortos ou cativos

Terror da bugrada
Raposo Tavares
patrono de estrada
peou cem milhares

Segundo seu plano
era mais barato
trocar africano
por bugre do mato

Veio a Abolição
a escritura e o grilo
documentação
vendida por quilo

E o apito do trem
da expansão paulista
índios, porém
na linha prevista

Os assassinatos
a facão, fuzil
e cruéis maus-tratos
foram quatro mil

Ferrovia e sangue
essa Noroeste
matou Kaingang
muito mais que a peste

Depois dos "selvagens"
foi a vez da floresta
com tantas pilhagens
que hoje nada resta


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